quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Brincar e a Terapia Ocupacional

O Brincar e a Terapia Ocupacional
Enfoque no Centro de Reabilitação
Lina Silva Borges Santos
Terapeuta Ocupacional
No Decreto Lei nº 938, que regulamenta a profissão de Terapia Ocupacional no Brasil, está previsto no artigo 4º que: “É atividade privativa do Terapeuta Ocupacional executar métodos e técnicas terapêuticas e recreacionais, com finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade mental do paciente”. Porém , se eu posso ir alem , eu amplio esta capacidade para as áreas físicas , emocionais e intrìnsecas de todo o ser humano .
As crianças em um Centro de Reabilitação estão com o propósito de se reabilitarem em suas funções físicas , sensoriais , perceptivas , emocionais e cognitivas . Há um trabalho multidisciplinar que visa a aquisição destas funções .
Para a Terapia Ocupacional , cabe a busca da independência possível de acordo com suas dificuldades motoras e outras , nas atividades do dia a dia , e neste caso em particular do BRINCAR .
Cabe a todos nós , a pergunta : Porque brincamos ? Certamente, o brincar é a garantia para que o cérebro e o corpo do adulto e da criança , permaneça estimulado e ativo . Sendo assim , um foco importante e de grande valor na profissão da Terapia Ocupacional é o BRINCAR.
Este brincar dentro do processo de TO pode aparecer em versões que se completam ou separadamente. Ou seja, o uso do brincar aparece para a TO como: -- uso terapêutico, onde ele vai em busca de objetivos que são propostos em terapias de enfoque físico e ou sensorial e ou cognitivo , etc. Outro foco , é o brincar aparecendo como a primeira atividade produtiva da criança , onde sua competência futura está sendo construída , e os papeis que ela estará usufruindo de estudante e profissional futuro . Por ultimo o brincara pode e deve ser visto em seu valor intrínseco . Ele é livre e natural . Nós nascemos para brincar, para nos divertir , para sermos pessoas felizes , com possibilidades de escolhas . Quando se pergunta a uma criança , porque ela brinca , a resposta vem imediatamente : “ porque sou criança , e criança brinca “. O brincar é então potencialmente uma ferramenta , um instrumento , uma escolha , um “algo “ da TO , pois em sua essência traz função , prazer , descobertas e autonomia .
Bibliografia
- Lorenzini , Marlene V. Brincando a Brincadeira . 1 ed. São Paulo, ed. Manole, 2002
- Moyles , Janet R. Só Brincar ? O papel do brincar na educação infantil ; trad. Maria Adriana Veronese – Porto Alegre ; artmed ed, 2002
-Jacob, S.H. Estimulando a mente de seu bebe ; trad. Norbeto de Paula Lima . São Paulo. Madras ed. 2002.
- Parhan , L. Diane , Linda S. Fazio . A Recreação na Terapia Ocupacional Pediátrica .São Paulo : ed. Santos , 2002.
- Ferland ,Francini . O Modelo Lúdico : O Brincar , a criança com deficiência física e a Terapia Ocupacional . Trad. Maria Madalena Moraes – São Paulo : Roca , 2006


sábado, 19 de fevereiro de 2011

O QUE É INTEGRAÇÃO SENSORIAL

Todas as nossas experiências são registradas pelo cérebro. Todos os movimentos, tudo o que vemos, o que tocamos, o que comemos e o que cheiramos são informações que recebemos através dos sentidos que são encaminhadas e registradas pelo nosso cérebro.

É através dessas informações que a criança aprende a se mover, a equilibrar-se e a se relacionar com os objetos e pessoas aos seu redor.

O cérebro organiza toda a informação recebida para possibilitar uma resposta. Essa organização que o cérebro dá à informação sensorial é chamada de Integração Sensorial. E é graças a ela que dirigimos nossa atenção para produzir comportamento útil e adaptativo e para que nos sintamos bem sobre nós mesmos.

No início da vida o cérebro desenvolve a organização que será a estrutura para comportamento e aprendizagens posteriores. Nesses primeiros anos, os movimentos espontâneos e as brincadeiras que envolvem o corpo todo são fundamentais para o desenvolvimento o sistema nervoso.

O cérebro humano depende da informação (estímulos) que recebe do ambiente através dos sistemas sensoriais. Recebe informação visual, auditiva , tátil, olfativa e gustativa. Além disso, precisa também de informação sobre gravidade e movimento. O cérebro reúne todas essas sensações e as organiza para um plano de ação.

O brincar é a melhor forma de desenvolver a integração sensorial. Desde pequena a criança naturalmente procura as atividades que promovem uma boa integração da informação recebida através dos sentidos. Ao se movimentar, aprende sobre os limites do seu corpo dentro do espaço que a rodeia. Ao manipular objetos, aprende sobre seu peso, textura, força que precisa para segurá-los. Todas essas informações são recebidas pelo cérebro, organizadas e armazenadas, possibilitando que a criança aprenda cada vez mais sobre o mundo em que vive.

Qualquer disfunção na recepção ou na organização das informações sensoriais recebidas sobre o mundo afeta o desempenho nas demais áreas, pois se a informação chega distorcida, a organização e a resposta a este estimulo também serão defasados.

Quando a criança não recebe informações sensoriais suficientes, de forma clara e concisa, pode não estar recebendo o “alimento” que o cérebro precisa para o processo de aprendizagem. Assim, é muito comum encontrar crianças muito inteligentes, que não produzem de acordo com o potencial intelectual que possuem.

Pode-se suspeitar da existência de algum tipo de dificuldade no processamento sensorial, quando a criança ou adolescente apresentar caracteristicas como:
  • Criança extremamente difícil para se alimentar (só come comidas com um certo tipo de textura, ou na mesma temperatura);
  • Apresenta medo excessivo, isola-se
  • Dificuldade em graduar a força que precisa para manipular objetos ou tocar as pessoas.
  • Problemas em usar e entender linguagem, resultando em problemas na fala, leitura e escrita. Problemas na articulação da fala sem razão aparente
  • Falta de força e tônus muscular, o que pode resultar em má postura e fadiga sem motivo aparente (cansa-se muito fácil, sem ter praticado algum tipo de esporte ou algo muito cansativo);
  • Má consciência espacial e desenvolvimento pobre da percepção de posição, resultando em insegurança durante os movimentos (criança que esbarra em estantes, mesas e outros moveis ou cai muito parecendo não ver os obstáculos no caminho);
  • Falta de coordenação entre os dois lados do corpo (a criança pode ficar desajeitada e confusa quando as duas mãos precisam trabalhar em conjunto, como para atividades de cortar ou escrever);
  • Falta de coordenação entre os olhos e o corpo, de modo que há uso ineficaz de informação visual para auxiliar no desempenho de ações (dificuldade para copiar conteúdo do quadro ou para ler a legenda de um filme, por exemplo);
  • Atenção de curta duração. A criança geralmente tem dificuldade em focar nas tarefas que precisa fazer (começa muitas atividades ao mesmo tempo e não consegue dar continuidade em nenhuma delas, distrai-se com muita facilidade);
  • Comportamento hiperativo (a dificuldade em concentração faz com que perceba todas as coisas ao mesmo tempo e não consiga se concentrar em uma só);
  • Sentido tátil mal desenvolvido (fazendo com que não goste de ser tocada, tenha dificuldade em aprender sobre a forma e textura das coisas, ou, por outro lado, pode não perceber seu espaço pessoal e tocar demais as pessoas, chegar perto demais);
Essas dificuldades tendem a aparecer tanto no lazer quanto no momento de vida prática. Podem não se relacionar bem com os companheiros ou ter de fazer tanto esforço que não se divertem.

Geralmente, nem todos esses sinais estão presentes. A intensidade com que aparecem e a quantidade deles que a criança ou o adolescente podem apresentar vão determinar o quanto interferem em sua habilidade de aprender.

Nos casos em que a informação não é integrada da forma que deveria ser, dizemos que existe uma disfunção de integração sensorial (DIS). Podem então surgir problemas na aprendizagem, auto-estima, relacionamento social ou hiperatividade.

O termo “Disfunção de Integração Sensorial (DIS)” é bastante abrangente, nele estão inclusos os distúrbios de modulação: defensividade tátil, defensividade sensorial, Insegurança gravitacional, Intolerância a movimento e os Distúrbios de Coordenação como integração bilateral, seqüenciamento e dispraxias  (dificuldade de planejamento motor).

Quando há suspeita de que a criança apresenta disfunção de integração sensorial, é indicada uma avaliação por terapeuta ocupacional com especialização nessa área. Pode ser indicada uma terapia com uma abordagem de integração sensorial.

É importante saber que na terapia de integração sensorial, a motivação da criança e o brincar são as ferramentas usadas. Através de um ambiente sensorial enriquecido, recomendações de uma “dieta sensorial” de atividades para o lar e escola, e brincadeiras que levam a criança a perceber melhor o mundo ao seu redor, essa criança pode desenvolver melhor integração sensorial e vir a aprender, produzir e se desenvolver de acordo com seu potencial intelectual.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um pouco de poesia...

Quando eu for grande, quando eu crescer, vou ser um Terapeuta Ocupacional!
Um dia as crianças vão brincar de ser T.O.

E
Quando eu for um Terapeuta Ocupacional:
vou me engajar na luta antimanicomial
vou apoiar pelo fazer e pelo diálogo a construção coletiva
vou lutar pela inclusão e abolir ao máximo, mesmo que movido pela ilusão,
o sentimento de estrangeiro no próprio território

Quando eu for um Terapeuta Ocupacional:
vou dançar para refletir e transformar
vou brincar para refazer o andar, o pegar e o olhar
vou cantar e encantar
vou contar histórias e sonhos despertar

Quando eu for um Terapeuta Ocupacional:
vou trocar o hospitalismo pela hospitalidade
vou sofrer o necessário para compreender
vou me divertir o necessário para motivar
vou adotar a auto-estima como filha da minha ousadia

Quando eu for um Terapeuta Ocupacional:
vou dar sentido à palavra com simples tubos de cola, pois a vida perde o sentido
quando as palavras são "palavras, palavras, nada mais do que palavras"

Enfim, quando eu for um Terapeuta Ocupacional:
vou lutar para que as crianças continuem a brincar de ser professor, dentista e médico,
de ser bombeiro, engenheiro e enfermeiro,
de ser fisioterapeuta, fonoaudiólogo e ator, de ser mágico,
CUIDADO E AMOR

Mario Battisti


Essa foi a melhor forma de transformar sentimentos em palavras... profissão em opção de vida...
Espero que tenham gostado, até mais...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Para papais e mamães.

Como profissional que trabalha diretamente com a realização das atividades de vida diária, o Terapeuta Ocupacional é responsável por acompanhar processos de aquisição da independência da criança, como aprender a andar, alimentar-se, vestir-se e saida das fraldas.

São momentos marcantes pra vida da criança, pois cada novo passo faz toda a diferença. Para tanto, se faz importante que as pessoas de sua convivência demonstrem segurança e naturalidade.

Quando se trata de autonomia, não existe um momento exato para que cada criança adquira um bom desempenho. Algumas crianças, com pouco mais de um ano ja reconhecem quando querem fazer xixi, ou ja tentam segurar a colher sozinhas, outras, aos dois anos e meio ainda nao despertaram interesse nenhum em ser independente. É importante observar se a criança demonstra interesse e se tem consciência de seu corpo e de suas capacidades.

Comece com atividades simples, que podem ser inseridas na rotina, sem grandes alardes.

Na hora do banho, ofereça o vaso ou o penico para a criança experimentar; quando a "mamãe" ou o "papai" forem usar o banheiro, convide-a para ir junto, assim ela se familiariza com o ambiente do banheiro e começa a compreender a função do vaso sanitário. Durante o dia, observe e pergunte se a criança quer fazer xixi, e quando fizer (na fralda ou na calça), aponte que ela está molhada e que agora terá de se limpar. Uma outra tecnica que pode dar certo é organizar uma tabela observando e agendando todas as horas que a criança fizer xixi, assim, sabendo a média de tempo entre um xixi e outro, comece a convidar e levar a criança ao banheiro no tempo estabelecido (por exemplo a cada uma hora, ou 90 minutos), antecipando o que ela faria na fralda ou nas calças.




Com relação ao vestuário, sugiro que comece dividindo cada ação em etapas (por exemplo, vestir uma camiseta: conferir o lado de frente da peça; vestir o braço direito, vestir o lado esquerdo, vestir a cabeça, puxar e esticar a camiseta pelo corpo), deixando o ultimo passo para que a criança realize sozinha. E conforme for adquirindo bom desempenho, diminua o numero de etapas que você fizer enquanto aumenta o desempenho da criança. Pode fazer isso com todas as peças, desde calcinha / cueca até os mais elaborados como meias e tenis.

Na alimentação, a dica acima também é bem vida. colocar comida na colher é uma atividade elaborada, que exige um tipo de preensão que crianças pequenas ainda nao têm bem desenvolvida. Comece a ação por ela, coloque a comida na colher, e deixe que no primeiro momento, a criança apenas leve a colher à boca. Você vai ver que ja é um grande passo, e antes que perceba a criança estará tentando fazer tudo sozinha. outra dica que dou é de separar os alimentos no prato, para que a criança explore e reconheça o sabor de cada coisa que estiver comendo, assim está formando o paladar e estimulando todos os sentidos de sua criança durante a alimentação.


Bom, por hoje é só. Espero que essas dicas ajudem a conhecer melhor seu filho, e a tornar cada etapa de seu desenvolvimento uma vitoria.

Até mais...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Para professores


O ano letivo acabou de começar, e com ele grandes projetos a serem realizados. Para que neste ano, você possa realmente fazer a  diferença na vida de suas crianças, seguem algumas sugestões que podem facilitar o seu trabalho e a aprendizagem de seus alunos:

- Prepare o ambiente para receber seu aluno.
A sala de aula, assim como os outros espaços da escola devem ser acolhedores, para que o aluno sinta-se bem no grupo. É interessante decorar o espaço com algo que seja familiar aos próprios alunos. Mas lembre-se, a decoração é um detalhe, não deve ser exagerada, senão atrapalha nos momentos de estudos e aprendizagem. 

- Organize uma rotina do grupo.
Seja na educação infantil, ou nas salas de ensino fundamental ou médio, é importante se ter uma rotina estabelecida, com o tempo dividido em atividades diferentes. Isso pode evitar o cansaço e a diminuição de atenção ao longo do período de aulas. Seria interessante, por exemplo, que a aula de educação física fosse imediatamente antes da aula de matemática, pois o corpo em movimento promoverá aumento do nível de atenção, e conseqüentemente melhoria da qualidade no processo de aprendizagem. Fazer mudanças no próprio espaço também são boas saídas: mudar a disposição das cadeiras na aula depois do recreio, ou mudar o lado onde o professor se posiciona na sala também podem dar o resultado esperado (diminuição da agitação e aumento do nível de atenção).

- Estabeleça pequenas metas e desafios.
Crianças e adolescentes adoram ser desafiados, e quando utilizamos isso a nosso favor, a aprendizagem se torna mais concreta e estimulante. Realizar torneios, gincanas e competições de assuntos que estão sendo abordados em sala de aula pode ser um grande aliado.

- Adapte.
            Adaptar pode ser definido como “fazer com que uma coisa se combine convenientemente com outra; acomodar, apropriar”. Sempre há uma forma diferente para se trabalhar. Desde colar papeis com os conteúdos no teto da sala, ate criar uma paródia ou um teatro sobre o tema, tudo vale à pena, desde que seu aluno se sinta motivado a aprender.

- Organize o movimento / organize o pensamento.
As habilidades cognitivas, a aprendizagem acadêmica, as habilidades para leitura e escrita e para o pensamento matemático estão diretamente relacionadas às habilidades motoras. O desempenho da criança nas funções sensoriais (visão, audição, tato, equilíbrio e percepção) determina como são suas habilidades de concentração (equilíbrio entre alerta e atenção); organização; auto-regulação; capacidade de abstração de sons e focar em uma determinada tarefa, entre outras habilidades. Para tanto, o professor pode auxiliar neste processo, organizando o conteúdo a ser passado: quadro ou lousa limpos, com poucos detalhes; organizados num pensamento lógico (de cima para baixo e da esquerda para a direita); passar o conteúdo em módulos, evitando fadiga e exaustão mental; apresentar material dividido em diferentes cores para cada etapa do processo, auxiliando o aluno a desenvolver pensamento e raciocínios abstratos.

Essas sugestões são advindas de uma abordagem terapêutica chamada “Integração Sensorial”, que tem como principal finalidade propiciar ao educador condições de organizar o ambiente escolar com atividades sensoriais que favoreçam respostas mais adequadas aos seus alunos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pra começar...

Você sabe o que faz um Terapeuta Ocupacional?


Terapia Ocupacional é uma profissão com conhecimento e intervenção em saúde, educação e na área social, que visa desenvolvimento e autonomia de pessoas, nas diversas faixas etárias, que por razões ligadas a problemas físicos, psicológicos, sensoriais, mentais, sociais e de desenvolvimento apresentam dificuldades no desempenho das atividades diárias.
São comprovadas contribuições do Terapeuta Ocupacional na reabilitação de funções físicas, mentais e cognitivas de pacientes; na estimulação da Independência nas Atividades da Vida Diária, e também no trabalho de adaptação de utensílios, ambientes e mobiliários.

Indicações para a Terapia Ocupacional:

  • Bebês de alto-risco;
  • Bebês com lesões de plexo braquial;
  • Pessoas com paralisia cerebral;
  • Crianças com atrasos no desenvolvimento;
  • Pessoas com deficiência intelectual;
  • Crianças com distúrbios de aprendizagem;
  • Crianças com déficit de atenção;
  • Crianças e adolescentes com hiperatividade;
  • Pessoas com doenças e disturbios mentais;
  • Portadores de síndromes genéticas;
  • Deficientes visuais;
  • deficientes auditivos;
  • Pessoas com autismo e outros transtornos do comportamento;
  • Pessoas com falhas na memoria, dificuldades de organização e atenção.
Dentre outros tantos casos.